Com esse titulo que abro esse
momento do blog, sobre as expressões das pessoas que no meio ou no final da
entrevista deixavam no ar a saudade do passado. Por isso, vale apenas lembrar
de novo.
Entrevistado
nº - 01 (ICS)
- O Ponto 13 é conhecido oficialmente como Largo da União, não me
lembro do porque ficou conhecido assim. Mas lembro-me muito bem como era antes o
Largo da União, não era asfaltada e não tinha os passeios, por isso que quase
todos os eventos aconteciam neste local:
— Comercio: em tempos em tempos neste local havia feira de artesanato onde varias
pessoas colocava seus produtos e vendiam, era de tudo.
— Lazer:
Havia shows neste local, esse caminhão que tinha a carroceria de feita de madeira
se transformava em palco e vários grupos de banda percussiva tocavam lá. Era um
local para as famílias se reuniam e as crianças se divertiam muito, além de ser
um ponto de encontro entre e os jovens.
Já que as ruas eram largas no inicio também era campo de futebol. Foram muitas peladas que
joguei lá junto com meus irmãos e amigos. Os moradores do local brigavam muito
com agente porque a bola batia nas paredes, além de cair nos telhados e nos
quintais.
No São João havia queimas de Judas. Pois havia um senhor que fazia uma cobertura
com palhas de coqueiro e transforma o local tipo um Arraial, cobrava, a gente
não se importava em pagar, porque era mais um local de lazer.
Tinha um homem de fora que
uma vez por mês colocava na sede do bairro filme que só era de caratê. Neste
mesmo local também tinha a discoteca. Além da lavagem anual que acontecia no
bairro.
— A Mata Escura ainda não era asfaltada
e quando foi colocando asfalto o fim de linha de Mata Escura ficou um bom tempo
no Largo da União, conhecido também como Ponto 13. Lembro que houve uma grande
movimentação de pessoas e de carros.
— Lembro que a primeira padaria era do Floresce, hoje não existe mais e se
transformou em varias coisas até em Igreja. O Comercio do Mota, agente ficava do lado de fora no balcão pedia o
feijão, arroz, açúcar... e ele pesava. A embalagem era de papel. Hoje a gente
entra no supermercado e pega o que quiser. Também não posso esquecer-me do
Senhor Oscar que também tinha a venda e uma avenida de casa. Ele vendia fiado a
notava em uma caderneta e muita gente comprava fiado nele.
— Entrevistado nº - 03 (JWSS):
Lembra que os presos que estavam perto de serem libertados. Saiam pela Mata
Escura iniciando pelo (Ponto 13) Largo da União vendendo pão, frutas, temperos e legumes, tudo isso era produzido
dentro da penitenciaria. Ninguém tinha medo deles. Eles não mexiam com nenhum
morador. Todos que eu conhecia naquela época comprava os produtos deles. Só
sabíamos que eram presos porque andavam com uma roupa azul.
Não posso esquecer que os muros da
penitenciaria eram de arame farpado e estacas de madeiras, a penitenciaria era
aberta a comunidade. Havia mensalmente campeonatos entre os times dos presos e
os visitantes, tinha bandeirinha, juiz, tinha tudo. Enquanto estava acontecendo
o campeonato os outros presos que não estavam participando ficavam vendendo
artesanato que eles mesmos faziam, minha mãe na época comprou muitas coisas.
— Entrevistada nº - 04 (ECS):
— Lazer:
como a penitenciaria tinha muitas frutas, as crianças inclusive eu pulávamos a
cerca que era de arame e íamos pegar: sapoti, manga, ingá, coco verde era
varias frutas. O pé de sapoti fazia de gangorra e passávamos atarde ou a manhã
toda se divertindo.
Por a Mata Escura não ter água encanada ia pegar água no rio ou no
chafariz que tinha que era pago. Muitos jovens e famílias ganhavam dinheiro
desta forma, enchendo tunes das pessoas que pagavam. Os tunes não eram como
esses da gora não, era de zinco grande.
Poucas residências tinham fogão às famílias cozinhavam de lenhas e
tínhamos que pegar feche de lenhas para cozinhar, quem podia comprava carvão.
O Candomblé do Bate Folhas quando cheguei aqui pequeno já existia anos, sendo
o primeiro do bairro. O meio de condução era muito difícil, depois de muitos
anos que chegou uma condução chamada bagageiro, mas não entrava logo em Mata Escura,
tinha que andar muito com grupos de pessoas para pegar a condução, na volta
fazia o mesmo processo.
Entrevistado nº - 05 (CSC):
— Junto com meus colegas eu ia
muito nadar no dique do Prata, segundo meus colegas o local era muito fundo,
como era muito pequeno e não sabia nadar os colegas me atravessam no ombro, às
vezes fazíamos tipo uma jangada com troncos de banana. Tinha uma barragem que
acredito hoje ser uma represa, pois lembro que os colegas também diziam de uns
tubos que era muitos grandes que podia engolir uma pessoa.
Neste local conhecido também
como horto havia muitas frutas, íamos diariamente lar, mas havia um vigilante
que dava um tiro para cima e saiamos correndo, dávamos uma trégua, mas sempre
voltamos lá, era a farra de crianças.
O primeiro comerciante que
vinga até hoje é o Senhor Isaias, no inicio era uma Quintana feita de madeira,
no meio tinha um pau que segurava para não cair. Ele vendia alimentos, depois
passou para material de construção que vende até hoje. O primeiro orelhão foi
colocado na venda dele.
FAZENDO UM LINK COM A
PESQUISA E AS ENTREVISTAS:
— Sobre o processo de
asfaltamento da Mata Escura;
— A década de 70 a instalação
do complexo penitenciário;
— A fonte da bica e horto
florestal;
— A represa da Prata, projetada pelo
grande engenheiro baiano Teodoro Fernandes Sampaio;
— O primeiro comerciante do
Senhor Isaias e o meio de transporte;
— As diversas formas de lazer
dos moradores entre a década de 70 e 80.